Clamidiose out 02 ABRASE Nº03

ABRASE Nº 03
Clamidiose Aviária

Equipe técnica
TECSA Laboratórios


A clamidiose é uma doença causada pela bactéria Chlamydophyla psittaci, antigamente denominda Chlamyidia psittaci.

Essa enfermidade encontra-se distribuída mundialmente, tem alta morbidade e mortalidade, acometendo principalmente as espécies de nidificação colonial, as aves domésticas como perus, pombos e patos e aves ornamentais, os pscitacídeos e também as aves de rapina.

Os pscitaciformes acometidos por esta enfermidade são os papagaios sul-americanos, os papagaios cinzentos africanos, as araras e as cacatuas, sendo que os papagaios sul-americanos e as araras parecem ser mais susceptíveis.

Com relação à faixa etária, os animais jovens têm maior predisposição que os adultos.

A contaminação se dá pela eliminação da bactéria nas fezes, urina, muco orofaringeano, secreções lacrimais e nasais, e ainda no leite de papo nos pombos. As aves se infectam por inalação de partículas. Estas são suspensas por contato em lugares fechados e por aerossóis produzidos pelo bater de asas. E estas novas aves infectadas começam a eliminar o agente no ambiente em curto espaço de tempo.

O microrganismo pode sobreviver por longos períodos nas fezes e secreções deixadas no meio ambiente.

Essa doença apresenta-se sob as formas aguda e subclínica e caracteriza-se por apresentar infecções respiratórias, digestivas e sistêmicas.

Fatores como o estresse sofrido pela ave podem resultar no aparecimento dos sinais clínicos da doença e aumentar a eliminação do microrganismo nas fezes dos animais portadores.

As cepas com grande capacidade de virulência, capazes de causar mortalidade substancial nas aves, afetam com maior frequência as gaivotas, as garças, os perus e ocasionalmente os psitaciformes. Geralmente, as cepas que infectam os psitaciformes, os pombos e os patos são menos virulentas. Todas as cepas parecem ser potencialmente infecciosas para o homem.


Sinais Clínicos e Patogenia

A severidade dos sinais clínicos da clamidiose depende da virulência da cepa de Chlamydophlila, do estado imunológico e da saúde do hospedeiro. As cepas que não causam sintomatologia clínica em um hospedeiro podem ser patogênicas para outras aves. A apresentação dos sinais clínicos podem variar desde infecções assintomáticas até severos casos de infecções com altas taxas de mortalidade. Não há sinais patognomônicos (confirmatórios) para clamidiose aviária, por isso a doença é facilmente confundida com infecções bacterianas e virais.

A forma aguda, quando apresenta sinais clínicos, é caracterizada por problemas respiratórios como dispneia, coriza e sinusite, além de conjuntivite (geralmente unilateral), diarreia e poliúria (aumento da frequência de urinar). As aves apresentam hipotermia (diminuição da temperatura do corpo), urticária, anorexia, penas eriçadas, e podem ter desidratação e comprometimento da função renal. As fezes podem estar com coloração amarelada, sugerindo envolvimento do fígado na patogenia da doença.

Entre as fases subaguda e crônica a doença pode apresentar sintomatologia nervosa como opistótomo (ave deitada de lado com o pescoço esticado), tremor e convulsão.

Os animais que sobrevivem à fase aguda podem ter como sequelas distúrbios do empenamento, principalmente nas aves jovens, provavelmente por comprometimento da função da tireoide e/ou glândula adrenal.

Somando-se aos sinais clínicos associados à clamidiose descritos anteriormente, algumas síndromes são comuns entre alguns grupos de aves, como citadas abaixo:

  • redução da produção de ovos;
  • baixa eclodibilidade e mortalidade de filhotes;
  • mortalidade esporádica;
  • conjuntivite (com ou sem outros sinais clínicos); pode ser visto em periquitos australianos;
  • papagaios amazonenses geralmente apresentam as fezes esverdeadas, compatíveis com disfunção hepática (biliverdinúriade);
  • araras podem demonstrar estado geral debilitado, mas é mais comum nesta espécie infecção subclínica.

A ocorrência de esplenomegalia está descrita na literatura. Mas nos psitacídeos os sinais de aerossaculite fibrinosa são mais indicativos de clamidiose. A esplenomegalia pode ser vista em uma variedade de outras doenças e pode estar ausente na clamidiose, dependendo do estágio da doença. A Chlamydophlila psittaci pode causar ainda orquite e epididimite, principalmente nos machos em atividade sexual, resultando em infertilidade. Nas fêmeas o comprometimento da função ovariana é mais rara.

As lesões crônicas encontradas em pombos incluem fibrose de fígado e rins, bem como necrose pancreática. A fase crônica também é caracterizada por aumento de volume e uma descoloração do baço e fígado. Nessas aves não se observam lesões de necrose e corpúsculos de inclusão no exame histopatológico, mas encontram-se presentes células mononucleares. De um modo geral, as lesões encontram-se ausentes nas aves com infecção subclínica, mesmo quando estão eliminando o agente nas fezes.

Diagnóstico

Os exames laboratoriais que podem ser feitos para confirmar o diagnóstico são: necropsia, sorologia, isolamento e cultura microbiológica.

O envio de material para análise laboratorial deverá ser da seguinte forma:

  • soro e fezes devem ser encaminhados ao laboratório logo após a coleta, identificados e acondicionados em recipiente isotérmico com gelo, para manter a temperatura de refrigeração;
  • amostras de fragmentos de baço, fígado, sacos aéreos e coração para histopatologia precisam estar também identificadas e colocadas em um recipiente limpo com solução de formol (10%);
  • os animais para necropsia devem ser encaminhados ao laboratório imediatamente após a morte, identificados e acondicionados em sacos plásticos dentro de recipiente isotérmico com gelo.


Referências Bibliográficas

FUDGE, A. M. Avian Chlamydiosis. In: Disease of cage and Avian Birds. 3a Ed. Editora Williams e Wilkins. Pg. 572-585. 1996.

FLAMMER, K. Chlamydia. In: Avian Medicine and Sugery. Pg. 364-377. 1997.

GERLACH, H. Chlamydia. In: Clinical Avian Medicine and Surgery – Including Aviculture. Pg 457-463. 1986

GRIMES, J. E., WYRICK, P. B. Chlamydiosis (Ornithosis). In: Disease of Poultry. 9a ed. Pg 311-326. 1991.

MANUAL MERCK DE MEDICINA VETERINÁRIA. Clamidiose. 8a Ed. Editora Roca. Pg. 1582-1584. 2001.

RUPLEY, A. E. Clamidiose. In: Manual de Clínica Aviária. Ed. Roca. Pg. 291-294. 1999.

 

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