Palavra do Sanitarista - Diagnóstico Sorológico em Avicultura

Palavra do Sanitarista

Dr Luiz Eduardo Ristow

Diagnóstico Sorológico em Avicultura

A importância dos testes sorológicos para um manejo sanitário adequado na avicultura industrial é indiscutível hoje em dia para quem deseja ter o máximo de produtividade e controle da produção. Porém, embora muito utilizados, percebemos erros de interpretação destes resultados devido ao desconhecimento de alguns conceitos básicos. A proposta da coluna de hoje é discutir alguns destes conceitos.

As análises para diagnóstico de doenças infecto-contagiosas podem ser caracterizadas como definitivas ou presuntivas. O teste definitivo é aquele que envolve o isolamento do agente, enquanto o presuntivo mede a resposta do animal para a presença do agente. Os testes presuntivos são os mais utilizados, pela praticidade, rapidez e custo relativamente baixo. Porém, devem ser interpretados com cautela pois podem levar a um diagnóstico errôneo devido a reação cruzada com outros agentes (falsos-positivos) ou por não detectarem animais recentemente infectados que ainda não soro-converteram. Portanto, todos os testes sorológicos devem ser considerados presuntivos da presença de um determinado agente infeccioso.

Valor Preditivo e Precisão: Sensibilidade e Especificidade

O título de teste sorológico é uma medida relativa da concentração de anticorpos. Na tabela 1 estão discriminados os testes sorológicos com o limiar de detecção de antígeno. Não confundir essa sensibilidade com o parâmetro da precisão do teste. O teste sorológico é baseado na capacidade do mesmo em diferenciar aves infectadas (não necessariamente doentes) de aves não infectadas.
 

Tabela 1 - Sensibilidade de testes imunológicos
Técnica Capacidade de detecção de antígeno (mg/dl)
Eletroforese 5 a 10
Imunodifusão radical simples <1 a 2
Imunodifusão dupla <1
Eletroimunodifusão <0,5
Fixação do complemento 0,001
Aglutinação 0,001
Elisa <0,001
Radioimunoensaio <10-9


Para fazer uso dos testes sorológicos de forma adequada, é preciso conhecer os pontos fortes e fracos do mesmo. Em outras palavras, precisamos conhecer a precisão do teste e o grau de confiabilidade do mesmo. A precisão é a propriedade do teste de classificar corretamente uma amostra como positiva ou negativa e é expressa em termos de sensibilidade e especificidade. A confiabilidade do teste é expressa nos valores preditivos.

A sensibilidade de um teste é definida como a probabilidade de um teste identificar corretamente uma ave positiva, e a especificidade como a probabilidade de um teste identificar corretamente uma ave negativa. Na tabela 2 é mostrada a associação existente entre o “status” da ave em relação à doença e o resultado do teste sorológico.
 

Tabela 2 -Tabela de contingência para cálculo de sensibilidade e especificidade.

“status” do Teste

 “status” da Doença

Presente Ausente
Positivo +a -b
Negativo -c +d


Outro conceito importante é o de Valor Preditivo, tanto positivo quanto negativo, que se refere à confiabilidade do teste. Entende-se como Valor Preditivo Positivo (VPP) a probabilidade de uma ave positiva estar realmente infectada e Valor Preditivo Negativo (VPN) como a probabilidade de uma ave negativa não estar infectada, ou seja, ser mesmo negativa. De acordo com a tabela 2 o VPP seria a/(a +b) e o VPN seria d/(c+ d ).

Amostragem

Outro ponto extremamente importante num exame sorológico é a determinação da amostragem para realizar o diagnóstico do lote. Essa amostragem é função de diversos fatores, mas basicamente depende:
• da sensibilidade, especificidade, do valor preditivo e do teste sorológico aplicado;
• da categoria da ave envolvida, da idade das aves, do perfil sorológico, da taxa de prevalência e tamanho do Lote no momento da amostragem;
• do grau de confiança ou erro da amostragem tolerados para se estabelecer o diagnóstico através de determinado teste sorológico.

Como determinar o número de amostras a remeter ao laboratório

Para determinar o número de amostras levamos em consideração a característica da doença que queremos verificar, ou seja, o quão contagiosa a doença se apresenta e sua velocidade de disseminação. De um modo prático recomendamos que sejam remetidas no mínimo 22 amostras para monitoria do estado pós-vacinal e no caso de pesquisa para diagnóstico de doenças seja consultado o laboratório para a melhor amostragem racional e com menor custo. Todas as amostragens utilizadas devem ser cientificamente corretas e baseadas em Bioestatística, conforme a tabela 3.
 

Tabela 3 - Número de amostras a testar para se ter 90% de confiabilidade que a doença será detectada se presente em/ou acima dos 5 níveis de incidência ou contaminação.
Tamanho do Lote ou População

Nível de Incidência

10% 5% 2% 1% 0,5%
20 13 18 20 20 20
50 18 30 45 50 50
100 20 36 68 90 100
200 21 40 87 136 180
300 21 42 95 160 235
400 21 42 99 174 273
500 21 43 102 184 300
600 21 43 104 190 321
700 22 43 105 195 337
900 22 44 106 199 349
1.000 22 44 108 205 368
1.400 22 44 109 211 392
1.800 22 44 110 215 405
2.000 22 44 111 216 410
3.000 22 45 112 221 426
4.000 22 45 112 223 434
5.000 22 45 113 224 439
10.000 22 45 113 227 449
100.000 22 45 114 229 458
Infinito 22 45 114 229 459


Ao interpretar um resultado de exame sorológico tenha sempre em mente todos os dados acima. Avalie se a amostragem foi realmente representativa da população em estudo.


Para mais informações ou algum assunto discutido nesta coluna, mande-nos um e-mail

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