Palavra do Sanitarista - Monitoria Sanitária Laboratorial de Granjas de Poedeiras

Palavra do Sanitarista
Monitoria Sanitária Laboratorial de Granjas de Poedeiras

Dr Luiz Eduardo Ristow
Médico Veterinário
Mestre em Medicina Veterinária Preventiva
Consultor em Sanidade e Diretor Técnico TECSA Laboratórios

1- Objetivo e importância

Segundo DEMING, estudioso e pioneiro da Qualidade Total (TQC), "quem não monitora seus resultados não gerencia, deixa o processo completamente à deriva", sendo este tipo de condução contrário ao progresso da empresa avícola.

O monitoramento ou monitoria sanitária é estabelecida para se ter dados concretos e científicos acerca da produção avícola da empresa, permitindo ter conhecimento dos desafios sanitários na granja ou na empresa como um todo e do processo de vacinação adotado e sua efetividade.

Muito importante quando se começa a montar um programa de monitoramento sanitário é sempre começar do geral para o específico, ou seja, ter primeiro a visão do mais importante, e, se possível, do todo, para depois buscar pontos específicos para serem analisados.

Da mesma forma que é extremamente importante que os dados sejam coletados e trabalhados, é fundamental que possamos através destes dados avaliar a biossegurança (desafios) e programa de vacina e propor melhorias.

Certificar-se que a produção de ovos não tenha influência negativa por processos patológicos (doenças), manter bons índices produtivos e que a produção tenha higidez significa garantir segurança alimentar ao consumidor.

Além disto deve-se monitorar a eficiência do programa de vacinação adotado e a potabilidade da água de bebida utilizada, e contemplar, ainda, a avaliação constante das pintainhas alojadas (pintainhas recebidas ou mesmo franguinhas quando assim recebida a genética), segundo a empresa fornecedora, para verificação e isenção de doenças específicas.


2- Esquema de coleta de materiais, amostragem e exames necessários

2.1- Programa básico

A- Alojamento (dia zero ou recepção de pintainhas)

Importância: SEGURANÇA
- Garantir que o material genético recebido é livre de patógenos importantes que podem comprometer futuramente o lote. A periodicidade sugerida é semanal ou estabelecida segundo critérios específicos do técnico responsável.
 

Material Número de Amostras Exames Códigos dos exames
Sangue de Pintainhas 25

Sorologia para Salmonella (Pulorose)
Sorologia para Mg
Sorologia para Ms

A 01
A 02
A 03
Pintos mortos em viagem e sacrificados mínimo 25 máximo 50 Isolamento de Salmonella A 18


Opcional: Pode ser feita a pesquisa de anticorpos contra Salmonella enterididis no sentido de avaliar o potencial risco de transmissão ou introdução deste agente na granja (exame código A37)

No caso do recebimento de franguinhas, recomendam-se estes exames e ainda exames específicos para avaliar a resposta a vacinação, ou seja, se o que foi declarado como vacinado está com bons títulos e se houve ainda desafios específicos.

B- Aves em criação

Importância: CONTROLE
- Averiguar se estão havendo desafios durante a criação das aves e se o programa de vacinação instituído nas granjas está produzindo resposta adequada (títulos altos e adequados e ainda uniformidade). Estes resultados são importantes também para serem analisados em conjunto com os índices de produção (por exemplo: mortalidade, desenvolvimento das aves, postura etc.) para avaliações e tomada de decisões referentes a correções possíveis no lote em questão e mesmo programas sanitários futuros (inclusive vacinações e biossegurança).

O programa adotado numa granja comercial deve contemplar a realidade avícola nacional e ainda a realidade da própria granja. Programas específicos para a necessidade da granja podem e devem ser adotados.

Programa básico

 

Material Número de Amostras Exames Códigos dos exames
Sangue 22 a 25

Sorologia para Mg
Sorologia para Ms
ELISA para Gumboro (IBD)
ELISA para Bronquite (IBV)
HI para NewCastle (NDV)
HI para Síndrome da Queda de Postura (EDS)

A 02
A 03
A 33
A 34
A 07

A 08


Momentos ou época de coleta das amostras:

Os momentos de coleta para monitoria devem atender o objetivo de vigilância (detectar infecções a campo), objetivo de avaliar o processo de vacinação com vacinas vivas, avaliar o processo de vacinação com vacinas inativadas e ainda avaliar a duração desta imunidade durante a vida das aves.

O programa proposto é de coleta no dia zero (ou alojamento), 5ª semana de vida, 10ª. Semana de vida, 20ª. Semana de vida, 30ª. Semana de vida, 40ª. Semana de vida, 50ª. Semana de vida, 60ª. Semana de vida, 70ª. Semana de vida, 80ª. Semana de vida.

Muda: avaliações específicas podem e ocorrer e são recomendadas neste caso, e devem ser discutidas com o veterinário sanitarista.


Programas Específicos:

B1
- Pesquisa de Salmonella no aviário ou galpão através do uso de Swab de Arrasto ou ‘’Drag Swab’’, na qual o objetivo é avaliar a situação da granja e adotar cuidados especiais com a biossegurança. Coleta-se amostra com o swab de arrasto no chão do aviário e solicita-se Isolamento de Salmonella (exame código: A 18). Embora aqui descrito como opcional, cada vez tem sido mais solicitado e assim conduzido por técnicos cientes da importância de se conhecer e construir um histórico da incidência de Salmonella nos galpões para adoção de medidas mais rígidas e aumento da higidez do produto. Sorologia ELISA para Salmonella enteridis tem sido utilizada com sucesso para avaliação da vacinação (exame código A37), podendo ser realizado nas mesmas amostras enviadas para monitoria de rotina.

B2- Síndrome da Cabeça Inchada ou Pneumovírus Aviário: tem sido ainda bastante problemática em algumas granjas pelo impacto da doença e dificuldade de prever o momento de maior desafio, então a sorologia ELISA para Pneumovírus (ART) (exame código A41) tem enorme utilidade em demonstrar o momento de maior desafio ou mesmo avaliar a resposta das aves frente à vacinação instituída.

B3- Micoplasmose ou Mg: apesar da vacinação adotada, ainda tem sido problemática em algumas granjas, então a sorologia ELISA para Mycoplasma gallisepticum (Mg) (exame código A38) serve para avaliar a resposta das aves frente à vacinação instituída, ou mesmo determinar o momento de desafio na granja.

B4- Coriza Infecciosa: apesar do uso generalizado da vacinação, algumas granjas têm sido acometidas com surtos esporádicos, sendo necessária então a avaliação sorológica para verificação da qualidade do processo de vacinação; também o isolamento do agente, a bactéria Haemophillus paragallinarum, nos permite caracterizar o sorotipo que desafia a granja, bem como quais os antimicrobianos mais indicados para controle na empresa.

C- Água
A água é um importante nutriente e sua qualidade bacteriológica deve ser verificada para que não seja uma fonte de contaminação dos lotes. A sua contaminação depende da fonte/sistema de captação e dosagem de cloro utilizada. A monitoria da água é realizada com COLETAS SEMESTRAIS em cada granja, tomando a amostra no bebedouro, tomando as devidas precauções para que não haja contaminação no momento de coleta.
Em GRANJAS NOVAS é colhida uma amostra ANTES DA 1ª CRIAÇÃO.
A coleta de amostra deve ser em frasco estéril e envio de amostra deve ser feita sob refrigeração e com agilidade.

D- Exame parasitológico de fezes

Importância: São sabidas as perdas decorrentes da verminose nas aves. Para validação do esquema de controle adotado são remetidas amostras de fezes dos galpões (amostra do galpão composta de 5 subamostras de 15 a 20 gramas cada, colhidas em pontos equidistantes).

2.3- Situações Emergenciais ou de Surtos

Em casos de surtos ou aparecimento de patologias específicas, o Sanitarista ou patologista deve ser consultado para que junto dom o técnico responsável seja estabelecido qual o melhor material a ser remetido e quais pesquisas/exames são mais indicados. É fundamental que haja uma boa interação entre os profissionais e que seja disponibilizado o maior número de informações para a boa condução dos trabalhos. Sempre devemos iniciar com a avaliação dos índices e a necropsia investigativa.

Recomenda-se envio de aves (mínimo de 6) para Necropsia (exame código A 30) e ainda 15 amostras de soro das aves que, posteriormente à necropsia, serão encaminhados a algum exame específico. Caso tenham sido observadas lesões nas necropsias a campo, sugere-se relatar ao patologista e ainda encaminhar estes órgãos para laboratório, acompanhando as outras aves para necropsia e os soros também.

IMPORTANTE: SEMPRE O MATERIAL ENVIADO PARA ANÁLISE DEVE SER ACOMPANHADO DE FICHA DE SOLICITAÇÃO DE EXAME/ANÁLISE.


3- Resultados


Com certeza mais importante do que as análises é a interpretação dos resultados para a boa tomada de decisão e correção/prevenção do problema. Os resultados das análises laboratoriais em si pouco significam se não forem consideradas as observações do campo (índices, sinais clínicos, evolução do quadro, resposta a intervenções, epidemiologia etc.) sendo fundamental, então, a interação entre o técnico a campo e o laboratório para discussão dos casos. É muito importante também que a monitoria seja discutida entre a equipe técnica a campo e o sanitarista, para que sejam mantidos os procedimentos eficazes e implantadas melhorias. Nossa indicação é que esta reunião de discussão de resultados de análises ocorra ao menos anualmente, para implantação do Plano Sanitário Anual, ou a qualquer momento, quando houver real necessidade.

A Monitoria Sanitária Laboratorial tem como meta trazer à tona informações importantes sobre o sistema de criação, educar a equipe técnica e promover sempre mais a saúde avícola e mantendo a boa relação custo-benefício para a empresa avícola.


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