Patologia Clínica em aves e pássaros silvestres ABRASE Nº 02

Laboratório de Patologia Clínica Veterinária em Aves e Pássaros Silvestres: Por que e como utilizar

Equipe de Veterinários do TECSA Laboratórios
tecsa@tecsa.com.br


Por muito tempo na medicina de aves e pássaros silvestres o laboratório de patologia clínica atuou de forma limitada apenas para alguns diagnósticos, como alguma pesquisa microbiológica ou imunológica específica. Em oposição ao que se pratica em relação a mamíferos ou a produção avícola industrial, nas quais o uso do laboratório é primordial para evitar problemas ou até mesmo evitar gastos desnecessários com tratamentos e tentativas de aumentar a segurança do trabalho. Este comportamento reflete o mito acerca das "dificuldades técnicas" sobre a condução destes exames, constituindo uma grande inverdade. As técnicas de análise laboratorial para este grupo de animais estão bem desenvolvidas e estabelecidas, permitindo fácil e precisa rotina de exames e com grande segurança de resultados.

Atualmente, as análises laboratoriais em aves e pássaros silvestres representam ferramenta fundamental no processo de diagnóstico precoce de enfermidades. Na maioria das situações, o diagnóstico precoce de muitas doenças é dificultado ou mesmo impossibilitado pelo aspecto comportamental destes animais. A evolução e o instinto dotaram estes animais de capacidades de "camuflar" os sintomas das doenças, a fim de proteger estes animais da ação de predadores que poderiam, caso percebessem o estagio de fragilidade daquele indivíduo adoentado, selecioná-lo como presa dentre o grupo de animais sadios. Desta forma, quase na totalidade das vezes, quando os sinais clínicos da doença se tornam evidentes, esta já se encontra em estágio avançado.

Portanto, mesmo em animais aparentemente sadios de criadouros, instituições ou animais domiciliados, uma rotina clínica profilática periódica deve ser adotada e, neste aspecto, exames laboratoriais deviam ser obrigatórios para um correto e completo diagnóstico do estado de saúde destes indivíduos. Isto tem por objetivo o diagnóstico precoce de doenças ainda no seu início, de doenças subclínicas (aves doentes que não manifestam sinais clínicos evidentes) e/ou monitoramento do estado fisiológico das aves que entram no criatório e que são possíveis disseminadoras de enfermidades para outras aves.

Um hemograma, por exemplo, é capaz de apontar enfermidades muito antes de as manifestações da doença serem detectadas. Os vários componentes de um hemograma podem fornecer valiosas informações sobre as condições internas do paciente (Tabela 1). Podemos perceber de forma precoce alterações que indiquem infecções bacterianas, parasitárias e virais, processos anêmicos diversos, verificar a presença de hemoparasitoses, dentre tantas outras possibilidades.

Da mesma forma que o hemograma, os exames bioquímicos são fundamentais para um adequado tratamento e melhora do animal,a partir dos quais o clínico deve orientar a prescrição de medicamento em função da condição fisiológica do paciente, objetivando melhores resultados, menor taxa de sequelas da doença clínica e menores gastos com uso indiscriminado de medicamentos.

Outro método de diagnóstico que está se tornando muito frequente são os exames sorológicos baseados nos testes de ELISA que possuem resultados muito confiáveis. São usados para detectar a presença de microrganismos causadores de doenças, monitorar a vacinação das aves, entre outras aplicações.

Portanto, fica evidente que o apoio laboratorial é de essencial importância, não somente para o diagnóstico diferencial de microrganismos ou sorológico, mas fundamentalmente para poder oferecer ao paciente uma conduta médico-veterinária de excelência e que maximize as chances de sucesso no tratamento deste paciente.

É visando oferecer este importante apoio ao médico veterinário e ao produtor que trabalha com aves e pássaros silvestres que o TECSA desenvolveu o setor especial - Patologia Clínica de Aves, Pássaros, Anfíbios e Répteis - coordenado por especialistas e adotando as mais modernas técnicas de exames existentes em nível mundial. O TECSA é o único laboratório veterinário no Brasil a oferecer este serviço especializado em nível técnico tão elevado.


Tabela 1:
Exemplos de alterações Hematológicas associadas a doenças:

 

  Leucograma:
Alterações esperadas:
Eritrograma:
Alterações esperadas:
Infecção bacteriana limitada
(Pneumonites, aerosaculites, enterites focais etc.)
Leucocitose moderada, raras vezes ultrapassando 25,000. Marcada Heterofilia, algumas vezes acompanhada de Monocitose e Basofilia discreta. Em casos de desidratação observa-se eritrocitose relativa.
Septicemias Leucocitose moderada a intensa em fase inicial podendo evoluir para uma leucopenia em casos de evolução desfavorável da doença. Marcada Heterofilia, algumas vezes acompanhada de Linfocitose, Monocitose e Basofilia discreta. Anemia evidente e não regenerativa, podendo apresentar alterações de morfologia como anisocitose e policromasia
Em casos de desidratação observa-se eritrocitose relativa
Endoparasitoses Contagem global com pouca ou nenhuma alteração. Marcada Eosinofilia, algumas vezes acompanhada de Monocitose e Basofilia discreta. Anemia regenerativa ou degenerativa dependendo do grau de endoparasitismo. eritrocitose relativa em casos de desidratação por diarreia.
Viroses Leucopenia evidente com marcada Linfocitose. Graus variados de anemia não regenerativa, podendo apresentar alterações de morfologia como anisocitose e policromasia
Em casos de desidratação observa-se eritrocitose relativa
Chlamydiose crônica Contagem global com pouca ou nenhuma alteração. Marcada eosinofilia, algumas vezes acompanhada de monocitose e basofilia discreta. Discreta anemia regenerativa.
Chlamydiose aguda Leucocitose moderada a intensa não raras vezes apresentando contagens acima de 30.000 leucócitos, principalmente em grandes psitacídeos. Marcada Heterofilia, algumas vezes acompanhada de linfocitose. Anemia evidente e não regenerativa, podendo apresentar alterações de morfologia como anisocitose e policromasia
Em casos de desidratação (diarreia) observa-se eritrocitose relativa

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