Patologia Clinica em répteis ABRASE Nº 05

Hematologia em Répteis


Análises laboratoriais em répteis representam fundamental ferramenta no processo de diagnóstico de enfermidades. Na maior parte das situações, o diagnóstico precoce de muitas doenças é dificultado ou mesmo impossibilitado pelo aspecto comportamental destes animais. A complexidade do comportamento, devido aos fatores fisiológicos e ambientais relacionados, a evolução e o instinto, fazem com que seja muito difícil avaliar se naquele dado instante o animal apresenta alguma anomalia patológica ou não. Desta forma, na quase totalidade das vezes, quando os sintomas clínicos da doença se tornam evidentes, esta já se encontra em processo adiantado.

É neste aspecto que as análises laboratoriais se tornam tão importantes. Um hemograma completo, por exemplo, pode apontar anormalidades patológicas muito antes das alterações clínicas serem detectadas. Os vários componentes de um hemograma completo podem fornecer valiosas informações sobre as condições internas do paciente. Podemos perceber de forma precoce alterações que indicam bacteremias, parasitemias ou viremias, processos anêmicos diversos, verificarmos a presença de hemoparasitas, dentre tantas outras possibilidades. Mas, para tanto, é fundamental que conheçamos as particularidades anatomo-fisiológicas particulares a esta classe de animais.

Os Eritrócitos dos répteis, por exemplo, são células que apresentam formato ovoide; são geralmente grandes, podendo variar de 13 a 25 micras (15-20 micras normalmente) e são células nucleadas. Este grupo de células é produzido na medula a partir de células de linhagem eritróide (eritroblastos), mas, diferentemente dos mamíferos, podem ser geradas a partir de outras fontes. Neste caso, o fígado e o baço são apontados como importantes sítios hematopoéticos secundários. Alguns estudos têm demonstrado que eritrócitos maduros podem se dividir por mitose dentro da corrente sanguínea e também dentro da medula. Está descrito também que tais eritrócitos também podem se dividir por divisão amitótica, podendo eventualmente gerar eritrócitos anucleados. Interessantes estudos demonstram ainda que em répteis os trombócitos, células originárias dos Megacariócitos que pertencem à linhagem de células mieloide (mieloblastos), podem sofrer transformação e gerar eritrócitos.

O hematócrito de répteis, de uma forma geral, gira em torno de 25% a 35% e a contagem total e relativa de células sanguíneas pode variar enormemente em função de diversos fatores tais como: o tamanho da célula; a idade do animal; o sexo; a época do ano (sazonalidade); além dos fatores patológicos, nutricionais e ambientais. Este fato cria para o clínico uma dificuldade maior para a interpretação de resultados em exames hematológicos. De uma maneira geral, a contagem total de células sanguíneas em répteis é menos numerosa que em aves e mamíferos de mesmo peso corporal.

Em répteis, um grupo celular particularmente interessante e que desempenha várias funções importantes é o dos trombócitos. Nestes animais estas células são nucleadas, com tamanho variando de 8 a 16 micras e sua contagem gira em torno de 10.500 a 19.500 células por mm3. Dentre as suas múltiplas funções, podemos citar a sua capacidade de fagocitose, participando ativamente das defesas do organismo; a capacidade de se transformar em eritrócitos; a sua participação nos processos de hemostasia, dentre outros.

A série branca desta classe de animais também possui características distintas. Diversos tipos celulares podem possuir capacidade fagocitária, dos quais podemos citar os Linfócitos, Monócitos, Neutrófilos e Heterófilos.

Em hematologia de Répteis, podemos dividir os Leucócitos em 3 grupos distintos, em função da forma com que usualmente são corados pelos métodos tradicionais:

No primeiro grupo, de elementos azurofílicos, encontramos os Linfócitos, os Plasmócitos, os Monócitos e os Neutrófilos.

Os Linfócitos dos répteis se assemelham muito em formato aos equivalentes celulares observados em mamíferos, mas podem ocorrer em formas mais irregulares. O tamanho deste tipo celular em répteis gira em torno de 5,5 a 14,5 micras e a contagem total e relativa de linfócitos na maioria dos répteis pode sofrer uma grande variação em função da época do ano (sazonalidade). Contagens normais em um mesmo animal podem variar de 15% a 90% dependendo da época do ano.

Os Plasmócitos, que assim como os Linfócitos são usualmente produzidos fora da medula óssea em vários órgãos linfogênicos tais como os nódulos linfáticos, podem ser, ao contrário dos mamíferos, normalmente encontrados em circulação a uma razão de até 0,5%. E em casos de estímulos imunogênicos, esta contagem relativa pode ser substancialmente acrescida. Tais elementos celulares se originam a partir de Plasmoblastos, que por sua vez se formam a partir de Linfócitos “B” ativados por antígenos específicos. Os Plasmócitos se assemelham em forma a estes predecessores, os Linfócitos, porém possuem um núcleo eccentrico e com um halo mais claro, ao redor do núcleo, que corresponde à presença do retículo endoplasmático e do complexo de Golgi, organelas intrinsecamente relacionadas e responsáveis pela produção e secreção de anticorpos.

Os Monócitos dos répteis possuem tamanho que varia de 8 a 12 micras e se apresentam usualmente um pouco maiores que os Linfócitos. Os Monócitos dos répteis são morfologicamente semelhantes às formas imaturas de Monócitos dos mamíferos, pois apresentam normalmente núcleos com formato curvado. Sua contagem relativa, de uma forma geral, parece girar em torno de 0,5% a 3% do total dos Leucócitos, embora existam espécies que podem apresentar mais de 20% deste tipo celular presente entre o total dos Leucócitos contados. Alguns pesquisadores afirmam que uma monocitofilia poderia estar relacionada com processos infecciosos crônicos. Estes elementos celulares parecem ser menos vulneráveis a variações sazonais, mantendo-se relativamente constantes ao longo do ano.

Em répteis, os Neutrófilos só foram definitivamente reconhecidos como tipos específicos de leucócitos, através de provas histoquímicas, após 1973 (Frye). Até então estes azurófilos, que apresentam forma nada semelhante com os Neutrófilos de aves ou mamíferos, eram confundidos com Monócitos e até mesmo com Linfócitos. Até esta definição, estes eram contados como um destes elementos celulares ou às vezes contados como corpos indefinidos chamados “células azurofílicas” ou “outros leucócitos”. Portanto é comum observarmos trabalhos e tabelas contendo perfis hematológicos de répteis sem a presença de Neutrófilos. Tal fato pode ter gerado substancial erro de contagem e interpretação de dados por muitos clínicos e pesquisadores. Nestes animais, os Neutrófilos não apresentam núcleo segmentado, podem apresentar uma fina granulação azurofílica e eventualmente corpúsculos fagocitários podem ser observados em seu citoplasma, especialmente em episódios de infecções bacterianas. Sua contagem relativa parece variar (Frye, 1991) de 3% a 10 % do total dos Leucócitos e, ao contrário dos mamíferos, sua contagem relativa não parece tender a uma neutrofilia de uma forma significativa frente a invasões bacterianas, podendo ser muitas vezes sobrepujada por outros leucócitos com maior capacidade de resposta, como por exemplo os Heterófilos.

Os Acidófilos desempenham papel muito importante nos répteis e possuem grande valor para interpretação em patologia clínica. Este grupo é representado pelos Eosinófilos e Heterófilos.

Segundo alguns pesquisadores, os Eosinófilos, bastante semelhantes aos correspondentes celulares dos mamíferos, parecem ser os Acidófilos predominantes em Quelônios e também aparecem em grande número nos Crocodilianos. Sua contagem relativa varia de 7% a 20% do total dos Leucócitos e podem aumentar significativamente em situações de parasitemia.

Os Heterófilos, formas celulares tipicamente encontradas em répteis, são os Acidófilos predominantes nos Squamata. Ao microscópio óptico convencional, estes elementos celulares são bastante parecidos com os Eosinófilos, mas é possível se observar significativa diferença, principalmente no formato de suas granulações acidofílicas introcitoplasmáticas. Nos Heterófilos, tais grânulos apresentam um formato alongado, enquanto que nos Eosinófilos estes grânulos são usualmente redondos. Alguns trabalhos também apontam diferenças histoquímicas entre estas duas células acidofílicas (Sypek e Borysenko, 1988). Nos Squamata, a contagem relativa deste tipo celular gira em torno de 30% a 40% do total dos Leucócitos. Os Heterófilos apresentam uma rápida resposta frente a invasões bacterianas (Heterofilia) e não raras vezes sobe a 65% do total dos Leucócitos contados em casos de bacteremias.

Assim como os Linfócitos, a contagem dos Acidófilos podem sofrer grandes variações sazonais. Além disto, assim como ocorreu com os Neutrófilos, devido à semelhança existente entre os acidófilos, muitos trabalhos podem ter tido seus resultados substancialmente equivocados por contagens imprecisas destes elementos celulares.

O terceiro grupo é representado por um único tipo celular, o Basófilo. Este é bastante semelhante em forma e função com o seu análogo na classe dos mamíferos, mas é relativamente mais numeroso nos répteis, tendo a sua contagem relativa variando de 10% a 25% do total dos Leucócitos.

As informações acima descritas, presentes em literatura, representam uma visão média e geral de trabalhos realizados por pesquisadores respeitados, porém é fato que ainda existe muito pouca pesquisa de base para fins conclusivos. Há que se considerar também que o perfil hematológico de répteis pode sofrer uma grande variação fisiológica, decorrente de vários fatores, como já foi citado anteriormente. É recomendável que o clínico utilize as tabelas apresentadas em literatura sempre com muita cautela e que, sempre que possível, realize pesquisas hematológicas periódicas em animais clinicamente sadios, a fim de se elaborar um perfil hematológico para aquela espécie em determinada região e situação. É importante também que se compartilhe tais dados com colegas e entidades de pesquisa para que possamos obter informações cada vez mais acuradas.

É visando oferecer ao médico veterinário que trabalha com répteis este importante apoio que o TECSA desenvolveu o setor especial - Patologia clinica de aves, pássaros, anfíbios e répteis - coordenado por Especialista e adotando as mais modernas técnicas de exames existentes em nível mundial. O TECSA é o único laboratório veterinário no Brasil a oferecer este serviço especializado em nível técnico tão elevado. Verifique a nossa tabela de exames abaixo e conte com o nosso serviço de assessoria científica ao colega médico-veterinário, por telefone, e-mail ou pessoalmente, pois teremos grande prazer em receber a sua visita.


Relação de Exames do SETOR ESPECIAL SILVESTRES - AVES, PÁSSAROS, ANFÍBIOS E RÉPTEIS

 

HEMATOLOGIA
 
RECIPIENTE P/ COLETA
HEMOGRAMA COMPLETO
Pela técnica de coloração citoquimica
Tubo Tampa Roxa - Com EDTA
ERITROGRAMA
Tubo Tampa Roxa - Com EDTA
LEUCOGRAMA
Pela técnica de coloração citoquimica
Tubo Tampa Roxa - Com EDTA
CONTAGEM DE RETICULÓCITOS
Tubo Tampa Roxa - Com EDTA

COAGULOGRAMA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
TEMPO DE PROTROMBINA (ATIVIDADE DE TBP)
Tubo Tampa Azul - com Citrato
FIBRINOGÊNIO
Tubo Tampa Azul - com Citrato
TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADA
Tubo Tampa Azul - com Citrato

BIOQUÍMICA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
ÁCIDO ÚRICO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
AMILASE
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
BILIRRUBINAS
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
CÁLCIO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
COLESTEROL TOTAL
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
COLESTEROL FRACIONADO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
CREATININA
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
LDH (DEHIDROGENASE LÁTICA)
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
FOSFATASE ALCALINA
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
FÓSFORO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
GLICOSE/GLICEMIA
Tubo Tampa Cinza c/ Fluoreto
LIPASE
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
LIPÍDEOS TOTAIS
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
POTÁSSIO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
PROTEÍNAS TOTAIS E FRAÇÕES
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
CK
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
SÓDIO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
TGO
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
TGP
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
TRIGLICÉRIDEOS
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
URÉIA
Tubo Tampa Vermelha ou Verde
ELETROFORESE DE PROTEINAS
Tubo Tampa Vermelha - SORO

PARASITOLOGIA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
EXAME DE PARASITOLÓGICO DE FEZES
Frasco Coletor
EXAME DE PARASITOLÓGICO DE FEZES – MIF
Coletor c/ Solução de MIF
PESQUISA DE ÁCAROS
Recipiente apropriado
PESQUISA DE HEMATOZOÁRIOS
Tubo Tampa Roxa c/ EDTA ou lâmina

MICROBIOLOGIA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
CULTURA– AERÓBIOS
Swab Estéril
CULTURA– ANAERÓBIOS
Swab Estéril
HEMOCULTURA
Frasco Apropriado
ANTIBIOGRAMA
--
GRAM (MICROSCOPIA DIRETA)
Esfregaço
EXAME DIRETO P/ FUNGOS
Recipiente apropriado
CULTURA PARA FUNGOS
Frasco apropriado estéril
COPROCULTURA
Frasco estéril (sob refrigeração)
Isolamento de Salmonella sp.
Swab com material
Isolamento Bacteriológico.
Swab com material

IMUNOLOGIA - SOROLOGIA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
SALMONELOSE
Soro Aglutinação Rápida - Pulorose
Tubo Tampa Vermelha -SORO

HISTOPATOLOGIA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
PEÇA/BIÓPSIA
Frasco com formol tamponado
CITOLOGIAS
Esfregaço em lâmina

NECRÓPSIA
 

RECIPIENTE P/ COLETA
ANIMAL - Grandes répteis (Crocodilianos)
Recipiente com gelo (sob refrigeração)
ANIMAL - Pequenos répteis
Recipiente c/ gelo (sob refrigeração)

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