Relato de Caso - Falhas Vacinais

Relato de Caso:
Falhas Vacinais

 Cid Bastos Fóscolo e Luiz Eduardo Ristow
Méd. Veterinário do TECSA Labs
Lygia Grazielle do Carmo Silva
Estagiária de Med. Vet. do TECSA Labs


Descrição da granja

O proprietário de uma granja situada no interior do estado de São Paulo, ao analisar os índices reprodutivos, observou o aumento contínuo durante os últimos quatro meses das taxas de mortalidade na maternidade, creche e animais refugos na recria. A granja possui em média um plantel de 550 matrizes e as instalações aparentemente apresentam um bom estado de conservação. Três anos atrás, a granja passou por um grave surto de meningite estreptocócica e rinite atrófica, que foi resolvido com a introdução de uma vacina autógena associada. Novos galpões de gestação e maternidade foram construídos há alguns meses, possibilitando a introdução de medidas profiláticas que não eram praticadas (sistema all-in all-out e vazio sanitário).

Primeira observação de casos

Há alguns meses, os funcionários responsáveis pela maternidade observaram o aumento do número de leitões apáticos que posteriormente apresentavam articulações inchadas e doloridas. Ao ser comunicado sobre os sintomas e mortes de alguns leitões, o gerente decidiu intensificar a desinfecção das instalações e dos instrumentos utilizados na maternidade.
Os animais acometidos passaram a ser medicados com antibióticos de amplo espectro logo que apresentavam os primeiros sintomas de problemas articulares. As mortalidade diminuiu após o tratamento, mas muitos dos leitões tratados tornaram-se refugos. No mesmo período foram também observados no galpão de recria dois animais com dificuldades respiratórias e corrimento nasal mucopurulento. O gerente mandou sacrificar um dos animais e enviou o sistema respiratório para o laboratório. Neste período, as análises não foram realizadas pois o material chegou ao laboratório em péssimo estado de conservação (sem refrigeração adequada). O tratamento curativo com antibióticos de amplo espectro passou a ser utilizado rotineiramente pelos funcionários da granja, mas a taxa de refugos continuou aumentando.

Segunda observação de casos

A partir do mês de outubro, segundo os funcionários da granja, alguns leitões recém-nascidos amanheceram mortos e outros apresentavam febre e diarréia na primeira semana de vida. Na creche, animais apresentavam tremores musculares com perda de equilíbrio logo pela manhã e após algumas horas já estavam mortos. Ao visitar a granja, o Médico Veterinário observou um alto índice de artrite em leitões da maternidade e grande desuniformidade de lotes desmamados aos 21 dias. Na creche alguns leitões apresentavam hiperemia de pele, tremores musculares e movimentos de pedalagem, e na recria foram observados em dois galpões animais com dispneia. O veterinário decide analisar a refrigeração, conservação e a administração das vacinas nos animais pelos funcionários. Como a geladeira que acondicionava as vacinas não possuía termômetro, a temperatura não pode ser precisamente medida, mas outros erros aparentes como algumas vacinas que estavam encostadas na placa de refrigeração ou na porta da geladeira foram corrigidos. Os funcionários foram instruídos a descongelar o refrigerador periodicamente e a não refrigerar produtos de consumo junto as vacinas. Quanto à aplicação das vacinas, de acordo com o veterinário não foram observadas irregularidades, já que estas estavam sendo aplicadas pela via de administração correta e transportadas para os galpões em caixas de isopor que continham gelo reciclável. Durante a semana seguinte, o veterinário resolve então sacrificar 8 animais que possuíam sintomatologia nervosa, 4 leitões com uma semana de vida e 4 animais da creche de idade entre 36 - 42 dias, não submetidos ao tratamento curativo. Estes animais foram enviados para o laboratório para realização de necropsia e exames complementares.

Resultados dos exames laboratoriais

Necropsia: Nos leitões de creche foram observados opacidade e congestão das meninges e edema submeningeano. Congestão dos gânglios linfáticos e artrite purulenta. Três animais apresentavam lesões leves nos cornetos indicativo de rinite. Demais órgãos aparentemente sem alterações macroscópicas. Nos leitões de uma semana foi observado em um animal meningite purulenta, articulações com aumento de volume e secreção de aspecto cremoso. Demais órgãos aparentemente sem alterações macroscópicas.

Histopatologia de Cérebro:

Microscopia: Cortes de cérebro apresentando congestão meníngea e edema. Infiltração de leucócitos polimorfonucleares nas meninges.
Conclusão: Sinais de meningite ou encefalite.

Análise Microbiológica de Sistema Respiratório:

Pesquisa de: Pasteurella multocida, Bordetella bronchisseptica, Haemophyllus parasuis, Actinobacillus pleuropneumoniae

Resultado: Após semeados nos meios habituais de cultivo as amostras de Tonsilas e focinhos coletadas no laboratório apresentaram crescimento de Bordetella bronchiseptica Pasteurella multocida.

Análise Microbiológica De Cérebro

Pesquisa de: Streptococcus sp, Haemophyllus parasuis
Resultado: Após semeados nos meios habituais de cultivo as amostras de cérebro coletadas no laboratório apresentaram crescimento de Streptococcus suis.

Conclusões

De posse dos laudos laboratoriais, o veterinário concluiu que estava ocorrendo um surto de meningite estreptocócica e rinite atrófica. Ao entrar em contato com o laboratório responsável pela produção da vacina autógena utilizada na granja há três anos, foi informado que durante todo este tempo não houve coleta de material para renovação de cepa, o que ocasionou um surto provocado pelo crescimento de cepas diferentes.
Foi realizada a produção de vacina autógena das cepas isoladas e após um mês a granja voltou a ter seus índices produtivos aumentados.

Comentários

A vacina autógena é eficiente e eficaz, e sua produção depende do isolamento e identificação das cepas na granja. Este é um trabalho de diagnóstico e deve ser dinâmico através de monitoração bacteriológica periódica e regular. As vacinas autógenas são vacinas inativadas por produtos químicos ou físicos, preparadas a partir de bactérias isoladas do próprio plantel. Trata-se de um produto totalmente seguro, não provoca doença ou reação local ou geral quando aplicado corretamente. É necessária a renovação das cepas periodicamente, pois o uso de antibióticos, premix e introdução de novos animais na granja podem levar à introdução de novos patógenos.

Unidade Matriz
Av. do Contorno , 6226 - Savassi
30.110-042 - Belo Horizonte- MG/Brasil
PABX: (31) 3281-0500
Email: sac@tecsa.com.br
Horário Atendimento Tecsa
Cadastre-se para
Receber Novidades
Receba as novidades do TECSA
Facebook